Conforme noticiado no blog de Tibor Moricz, a editora Draco vem com vários títulos novos, entre antologias e romances. A diversidade de temas e títulos se reflete também no perfil dos autores, que vão de iniciantes promissores a veteranos de talento comprovado.
Um dos autores que já vem caminhando na senda literária e que agora fecha contrato com a Draco é Estevão Ribeiro. O autor capixaba, que lançou em 2009 seu primeiro romance, é mais conhecido por seu trabalho em quadrinhos. Entre suas criações de maior destaque estão o justiceiro Tristão e Hector e Afonso, da tira Os passarinhos. Premiado e reconhecido por seu mérito na arte sequencial, Estevão fala sobre os motivos de ter escrito um romance de terror:
“Acho que é a evolução de um trabalho. Eu escrevia sobre coisas tristes, o terror é outra forma de lidar com esse tema, porém colocando mais emoção e ação”. A tristeza foi o tema da sua antologia Contos tristes, em que pequenas histórias - em prosa e em quadrinhos – tratavam de forma poética da tristeza humana.
Porém, como o autor mesmo explica ao falar da trama, o livro pouco terá de melancólico.
“O livro trabalha com o sobrenatural por meio da tecnologia: maldições que podem ou devem ser passadas adiante, condenar uma pessoa a morte num clique do mouse… O protagonista é um hacker que faz isso sem saber, condena pessoas a morte e é assombrados por visões. Ele tenta salvá-los, mas como impedir uma maldição?”
E na contramão da onda vampirica, o escritor avisa que, apesar do prefácio de Nazarethe Fonseca, os dentuços não estarão presentes.
“Tem computador, tem gente decapitada, carbonizada, pombos, ex-namorada… não, não tem vampiros não!”
E qual o motivo do mistério em torno do nome?
“Porque, depois de saber, você será obrigada a passar para sete pessoas.”
O lado mais leve do autor pode ser admirado nas tirinhas cômicas ’Os Passarinhos’, cuja primeira coleção está sendo lançada dia 25/01 no Rio de Janeiro e dia 20/02 em São Paulo.
Outro escritor que vem adicionar a sua experiência à inovação da Editora Draco é o carioca exilado em terras paulistanas Eric Novello. Roteirista de formação, o autor de Histórias da noite carioca e Dante, o Guardião da Morte surge com um romance fix-up de Fantasia Urbana, gênero pouco praticado no Brasil. O autor explica sua escolha.
“Queria usar magos em cenários de grandes metrópoles, misturar um pouco as coisas. Fiz um projeto para publicar no site, mas parei no meio. Mais tarde, descobri que era um gênero com grande sucesso de vendas e muitos escritores no exterior e me reapaixonei pela idéia.”
Para Eric, a Fantasia Urbana tem como alcançar um grande público no Brasil.
“A fantasia já provou que tem apelo comercial, vide os zilhões de livros que ocupam a parte de infanto-juvenis das nossas livrarias. É questão de saber apresentar a idéia para os leitores, mostrar essa visão contemporânea da fantasia. Lá fora, grande parte do sucesso se deve à postura das protagonistas. Saem as sofredoras vítimas do destino e entram mulheres que detonam seus inimigos. No caso, inimigos sobrenaturais. Mal vejo a hora de ler algo do tipo 100% nacional.”
Falando um pouco sobre seu livro, o autor conta a origem do título e descreve os personagens.
“Neon Azul é o nome de um inferninho. Quando fiz escola de cinema, passava em frente a um inferninho com um toldo negro delineado com neon azul. Da porta, só via uma escada para o segundo andar, com as mesmas lâmpadas. Durante um ano e meio imaginei o que se passava lá dentro e escrevi o livro. Cada capítulo acompanha um personagem e sua relação com o Neon Azul, mas a trama é toda entrelaçada. A fantasia entra de forma sutil. O dono do bar é o capeta, o gerente é um homem que nao dorme nunca. O advogado ganhou de presente um cramulhão na garrafa. O pianista, quando toca Wagner, traz de volta espíritos da época de Hitler. Mas o foco mesmo do livro é a solidão daqueles que vivem cercados de gente, uma solidão muito comum para quem curte vida noturna.”
Perguntado sobre uma possível ligação entre Neon Azul e Histórias da Noite Carioca, o autor faz ressalvas.
“Sai o humor e entra o lado mais sombrio do ser humano. O próprio personagem Lucas Moginie do Histórias está lá! Só que numa versão mais embriagada e decadente. Ele está dançando no Neon Azul quando dá de cara com uma personagem de seus livros.”
Uma curiosa coincidência é que Eric Novello fez a leitura crítica do livro de Estevão Ribeiro.